quarta-feira, 11 de novembro de 2009

fragmentos de setembro


Setembro deixou a cadela ganindo baixinho e partiu para o vazio, para o tempo em que se distanciava deste mundo, para o tempo em que vivia noutra pele, noutro tempo, olho perdido lá longe, nada escutava, nas mãos uma garrafa vazia, um toco fumarento no canto da boca que ia apagando, até apagar. A cinza escorrendo no peito cavo, polvilhando pelos, o olho perdido lá longe. A cadela conformada olhando tudo, se pudesse falar, diria, - você me mata, você me faz bem, tenho tempo, me devore, eu lembro de você, como do esquecimento, me olhe, tenho toda a noite, venha junto comigo, quero tocar seus sinais, você me mata, você me faz bem, lembra, lembra, lembra, Setembro, acorda, ficou escuro aqui fora, use o faro, não tem um osso, nem lua, os fatos se foram, acontece sempre, me mate, me devore, tenho tempo - E a noite aumentando dentro de Setembro.

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