terça-feira, 23 de agosto de 2016

então quando chegar o tempo de semear
será  fim de inverno
haverá uma terra e um fio de luz
nas mãos, um desenho incerto,
de hera subindo em desatino;
o vento dirá,
num terno abraço a rodar
anda, cigana, vai amar




desdenho de mim mesma
melancolicamente 
portuguesa,
terra desvista 
nau insone
nau fragata
tudo some, orgasmicamente,
quero sair em busca de outro nome

terça-feira, 2 de agosto de 2016

viver uma vida para lembrar,
dia e noite apertar nos braços a memória
com que se alimenta o tempo amoroso das lutas
abraçar os dias e as noites, esperar
como se espera, a esfera dura do tempo
cantar no contratempo, no fio da canção
imaginar que tudo cabe coração,
girar no mundo pequeno da poesia
no universo da palavra dada
que é eterno e brilha em qualquer esquina,
mesmo quando passas sem me notar

quarta-feira, 27 de julho de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

ausência

ando em câmera lenta, lenta,
prá trás e sempre indo, sentindo
o lado esquerdo como direito, a mão dada retirada,
o algodão doce melado
na pele salgada desmanchado;
ando e desando na linha imaginária da rima
desfazendo a mala com passagem só de ida,
despregando o que foi colado;
ando esquecendo rápido o riso na madrugada,
apagando a pegada e o toque da mão na cara suada;
ando querendo andar no ritmo de um cordão,
em câmera lenta pra trás e ficar num tempo
saido do coração atento





quinta-feira, 14 de julho de 2016

O canal da vagina exemplar
de quatro a espiar
a cabeçorra negra,
e a boca horizontal
num muxoxo salivar,
Contata o esguicho alvo
da manga a escapar,
via láctea carnal
universo em contração
no imantado buraco