terça-feira, 27 de outubro de 2009

Daquela estrela à outra
A noite se encarcera
Em turbinosa vazia desmesura.

Daquela solidão de estrela
Àquela solidão de estrela.

domingo, 25 de outubro de 2009

Conversan con el paisage


como falar da paisagem?
olho estrela, brilho extinto
e a lentidão sideral
com que fere exata
o que iluminaria
no vazio da porta entreaberta.

no horizonte arde ex-amadamente,
ainda rosto ausente.
oriente-se luz!
a máscara da palavra
examina a penumbra...

o desejo penetra de forma detalhada as
dobras do que amas!

olho a paisagem e sentada
ante a vastidão da monotonia,
sintonizo eclipses
e rádios pirata
(a palavra esmurra o muro duro).

Morro depressa,
É tão desigual a descoberta!

rogo à palavra,
ouço seu imenso clamor...
não, nenhum rosto debruçado sobre mim!

sábado, 24 de outubro de 2009

Poente

Príncipe


Era de noite quando eu bati à tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste.
Era de noite
são mil e umas
as noites em que bato à tua porta
e tu vens abrir
e não me reconheces
porque eu jamais bato à tua porta.
Contudo
quando eu batia à tua porta
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente
viram-me
pela primeira vez
como sempre de cada vez é a primeira
a derradeira
instância do momento de eu surgir
e tu veres-me.
Era de noite quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir
e viste-me
como um náufrago sussurrando qualquer coisa
que ninguém compreendeu.
Mas era de noite
e por isso
tu soubeste que era eu
e vieste abrir-te
na escuridão da tua casa.
Ah era de noite
e de súbito tudo era apenas
lábios pálpebras intumescências
cobrindo o corpo de flutuantes volteios
de palpitações trémulas adejando pelo rosto.
Beijava os teus olhos por dentro
beijava os teus olhos pensados
beijava-te pensando
e estendia a mão sobre o meu pensamento
corria para ti
minha praia jamais alcançada
impossibilidade desejada
de apenas poder pensar-te.

São mil e umas
as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir-me


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Poeminha psicotrópico para Akineton


Recolherei todas as Stelazinas vencidas no céu
e te Prometazina que transformarei,
e Dissulfiran os Biperidenos
em Diazepans 5 e 10

Gardenais serão livres no espaço
Voando sem Anatensol
Mesmo assim, Epelin que me
Imipraminas com Tegretol 25.
Todo ele

Amplictilmente serei feliz,
Louvarei Hidantoinatos em tua
Amitriptilina, bem como
Carbasepinarei Lítios e
mais Carbolitios. Oh, sais!

Por fim, Haldol me Trifluoperazinará
O coração e o Tryptanol a razão.
Antabus, assim seja.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Lua


Na paisagem gasta
a lua deita prata no lago
Que gosto tem a água?

Sina de Vagalume


Cunha cravada no céu
Signo do exílio
Se cresces, desapareço.