domingo, 27 de agosto de 2017

desconfio do teu silêncio
desacredito da tua mudez
desapego do teu penar
desrespeito tua palavra
desvencilho meu ar viciado
desdenhando teu quase nada
desatino com a falsa nudez
descrevo numa estrofe só
desditos escritos de perna quebrada
desconheço as regras, décimas faço

conheço tuas palavras de cor e salteado
ditos e floreios dos antepassados
escrevo sem dó, nem ré mi sol
atino em pegar carona no falsete
atento teus gestos amplos e secretos
ligo meu ser no teu, na mais alta voltagem
respeito as tantas noites cheias de ti
pego toda a roupa por lavar
acredito no sol, no vento e na flor
confio nos beijos, até um dia qualquer!
Panos brancos aqui e ali
Sobre a pele negra sobre o pelo meu
Pele branca sobre o negro escarcéu
Panos quentes sobretudo
A casta ficou no breu
Melhor seria ficar ao léu dos teus braços
negros negros,
como a flor que carrego no meio do céu

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

a ti, só vou encontrar
dentro de mim;
em nenhum outro lugar
hoje fui vítima de suborno
pedi à mim para depositar
algumas crenças a fundo perdido
num banco de jardim
Caminho da lida
Vereda sem volta
Por onde leva a trilha
Senão ao costume
Do trote?

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

segunda-feira, saí com o único olho de Horus que encontrei,
como águia caolha busquei Rá, meu rei
sua filha quererei para compartilhar alfajores,
Háthor seguirá sambando, espantando toda dor
embalando mortos com amor e bebendo rios de vinho
sim, o dia será longo como a sopa de legumes do vizinho,
que ferve há dias na escuridão de Set,
aceitarei devoluções tardias, os presentes bobos,
latas de cerveja e perfumes de jasmim

vejo o céu escuro pela janela, ela vê uma estrela
na porta, teu corpo ocupa todo o espaço, ele nada veste
troco o disco debaixo da pequena lâmpada, ela tem uma luz no nariz
pontos de vista diversos me maravilham, ele mostra os biceps
um frio vem de fora enquanto fumas, ela pensa que é atriz
do tempo faço partes que reparto pelos dias, ele lê pensamento
estrelas entram contigo quando retornas, ela fecha os olhos e ri
ocupo todos os versos no abraço, ele murmura que é brincadeira
não há mais lugar sem ti nem contigo, ela tem medo
digo as frases mais incoerentes, ele nada diz
porque tem uma primavera na sala, ela oferece café
pontos de vista diversos nos separam, ele quer neste instante
ele canta, cala toda a coisa não dita, ela todo tempo
pontos de vista diversos guardam nosso olhar, ele se agita
empilho os momentos e guardo no armário, ela grita
não há mais lugar sem ti, nem contigo, eles suspiram