sábado, 11 de setembro de 2010

Os dias vão


Os dias vão como as ondas e os cantos
seu rubro vento e seus profundos verdes pelas horas mutáveis.
Em um deles fica uma baía, em outro
um pânico de estrelas ou delfins
enquanto um tempo novo e sigiloso
com noites de diferente meridiano
filtra suas cordas pálidas pelos compartimentos
e mistura-se ao vinho que bebemos,
Uma viagem, oh doce dor na raiz do corpo
que joga consigo mesmo de ser igual, constante
e a despertar diferente cada dia, sob céus novíssimos,

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

quando de longe me chamares



é assim, então?
jogas em mim esta luz,
estes véus, estes fios e
te escondes mais adiante
na lonjura dos dias que te carregam!
as nuvens abanam, posso ver...
te atreves tanto... até peixinhos
colocas no céu a zombar dos meus
dias sombrios,
estes dias que não passam!
sabes? dói esta claridade com que mostras
o mundinho em que vivo.
No entanto me prendo firme nos fiapinhos.
Sei que a raiz da figueira começa com
uma raizinha assim, ó, como o fio do meu cabelo
onde gostas de passar a mão.
Sei também que tudo isso se prende ao chão
e que tudo o mais se prende na luz,
e que jamais deixarás que eu me solte,
que não volte os olhos
quando de longe me chamares

Instrucciones para subir una escalera al revés - Audio de Julio Cortázar en Escribirte.com.ar

Instrucciones para subir una escalera al revés - Audio de Julio Cortázar en Escribirte.com.ar

Don Luiz rumo ao Cerro Partido

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Névoa



Foi ontem,

achei que pudesse lembrar,

mas a névoa tomou conta

e no caminho para agora, me perdi.

Onde está o dia claro depois da água?

Só ouço o marulho do esquecimento aqui.

Na passagem para lá não me movo, fico em mim,

querendo estar em ti.

entre dois tempos


Entre o luar e a folhagem,
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver aragem
Passa um segredo.
Segue-o minha alma na passagem.
Tênue lembrança ou saudade,
Princípio ou fim do que não foi,
Não tem lugar, não tem verdade.
Atrai e dói.
Segue-o meu ser em liberdade.
Vazio encanto ébrio de si,
Tristeza ou alegria o traz?
O que sou dele a quem sorri?
Nada é nem faz.
Só de segui-lo me perdi. "
(F. Pessoa)